Dons e Dádivas

Texto escrito por Márcia Baja, em novembro de 2020.

Falando de dons e dádivas…

Atenção para não misturar aquilo que você oferece com aquilo que precisa – ou acredita precisar, ou te disseram que precisa!

Seu oferecimento não deveria fazer parte de uma barganha ou se associar a um sentido de sobrevivência. É assim que se perdem os dons e surgem as grandes Fábricas de intermináveis Danos. Basta olhar! Os alimentos envenenados, os shoppings transbordando de coisas inúteis, os remédios nos enfraquecendo, informações que limitam e confundem… E nós: cada vez mais carentes e miseráveis.

Quando acreditamos precisar de coisas, vamos acabar fazendo coisas para que os outros também acreditem que precisam de coisas. E no meio de tantas coisas, vamos nos perdendo da Terra e ela facilmente vai sendo escondida de nós e vamos nos esquecendo de que estamos naturalmente apoiados e sustentados pela vida.

Não podemos misturar aquilo que oferecemos com sentimentos de necessidade. Senão, vamos precisar que o mundo precise de nós. E “precisar” não deveria ser o verbo que nos anima!

Quando falamos de dons, seria muito importante que nos sentíssemos completamente inúteis para o mundo. Pois nenhum tipo de visão utilitária promove e sustenta a vida. A vida flui por outras vias!

Para manifestarmos nossos dons precisamos estar inteiramente relaxados e permitir que o sopro da vida nos tome por completo, assim como o mar é tomado, as florestas e as flores são tomadas.

Cada um de nós se manifesta através de um composto único e original. Quando o sopro da vida cruzar pelo composto das nossas carnes, nervos, ventos e fluxos internos, quando o sopro da vida tomar nossa própria inteligência, então algo muito original vai brotar. E isso será bom.

Mas veja! Isso não é necessário. O mundo não precisa de nós. Mas se florescermos, isso será bom. Trará alegria para o mundo. E iremos inspirar outras pessoas a relaxarem, se abrirem para o sopro da vida e manifestarem seus dons.

Portanto se acalme. Você está vivo! É isso que importa: essa chama que queima em teu peito e te faz brilhante. Deixe esse brilho expandir. Ele será teu oferecimento e nada te faltará!

Seja tão inútil quanto uma flor!

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